Primavera
Ontem estávamos loucas! Não. Eu diria antes que estávamos felizes. Celebrávamos a vida!
Fingíamos trabalhar, mas não. Pensávamos disparates, dizíamos disparates e fazíamos disparates. E ríamos, como nós ríamos!..E eu andava cansada de não rir.
Este ano promete! Até pode ser a nossa desgraça, mas que vai ser divertido, isso vai!
Sinto que isto vai resultar. Eu sei que isto vai resultar.
Imprudentemente, deixei escapar que não gostava do Carnaval. Nem parece meu! Eu não costumo descuidar-me nestas coisas…
Quis abandonar o assunto, mas tu não deixaste.
Quis entregar actividade à tua responsabilidade – eu confio na tua loucura -, mas tu não deixaste.
Quiseste saber o motivo de eu não gostar do Carnaval e eu disse-te que não sabia. Menti. Tive vergonha.
A professora disse-nos para, no dia seguinte, aparecermos “bonitos e arranjadinhos”, ou seja, devidamente mascarados para a festa e desfile de Carnaval.
Nessa noite, sentei-me junto da minha mãe que, com as suas mãos de verdadeira fada do lar – atributo que eu infelizmente não herdei –, cosia as últimas flores de papel no meu vestido.
Eu tinha decidido que queria ir vestida de Primavera e ela, que sempre me alimentou os devaneios, prontamente encontrou um vestido velho e cobriu-o de flores de papel, adicionando uma coroa, também florida, que era o meu orgulho.
No dia seguinte, já na escola, a professora não apreciou a minha indumentária:
- Mas que raio de fatiota é essa? Vens mascarada de quê?
Parecia-me óbvio, mas mesmo assim respondi:
- De Primavera.
- Ai sim?! És muito engraçadinha! Olha para teus colegas, nenhum se lembrou de tal coisa. Não conseguiste pensar em nada mais normal?
- Não.
- Pois então não participas no desfile, que é para aprenderes. Vais ficar aí sentada a assistir.
Ainda consigo ouvi-la comentar com as outras professoras “ Aquela tem a mania que é a Primavera, olha o disparate!”
Ali fiquei a ver polícias, fadas, zorros, rainhas a desfilarem, com a certeza dos meus oito anos de que a Primavera alegraria a festa.
Hoje, continuo a não gostar do Carnaval.
Fingíamos trabalhar, mas não. Pensávamos disparates, dizíamos disparates e fazíamos disparates. E ríamos, como nós ríamos!..E eu andava cansada de não rir.
Este ano promete! Até pode ser a nossa desgraça, mas que vai ser divertido, isso vai!
Sinto que isto vai resultar. Eu sei que isto vai resultar.
Imprudentemente, deixei escapar que não gostava do Carnaval. Nem parece meu! Eu não costumo descuidar-me nestas coisas…
Quis abandonar o assunto, mas tu não deixaste.
Quis entregar actividade à tua responsabilidade – eu confio na tua loucura -, mas tu não deixaste.
Quiseste saber o motivo de eu não gostar do Carnaval e eu disse-te que não sabia. Menti. Tive vergonha.
A professora disse-nos para, no dia seguinte, aparecermos “bonitos e arranjadinhos”, ou seja, devidamente mascarados para a festa e desfile de Carnaval.
Nessa noite, sentei-me junto da minha mãe que, com as suas mãos de verdadeira fada do lar – atributo que eu infelizmente não herdei –, cosia as últimas flores de papel no meu vestido.
Eu tinha decidido que queria ir vestida de Primavera e ela, que sempre me alimentou os devaneios, prontamente encontrou um vestido velho e cobriu-o de flores de papel, adicionando uma coroa, também florida, que era o meu orgulho.
No dia seguinte, já na escola, a professora não apreciou a minha indumentária:
- Mas que raio de fatiota é essa? Vens mascarada de quê?
Parecia-me óbvio, mas mesmo assim respondi:
- De Primavera.
- Ai sim?! És muito engraçadinha! Olha para teus colegas, nenhum se lembrou de tal coisa. Não conseguiste pensar em nada mais normal?
- Não.
- Pois então não participas no desfile, que é para aprenderes. Vais ficar aí sentada a assistir.
Ainda consigo ouvi-la comentar com as outras professoras “ Aquela tem a mania que é a Primavera, olha o disparate!”
Ali fiquei a ver polícias, fadas, zorros, rainhas a desfilarem, com a certeza dos meus oito anos de que a Primavera alegraria a festa.
Hoje, continuo a não gostar do Carnaval.

3 Comments:
Linda, não sabia dessa historia!!! mas lembro-me desse Carnaval, nao fui assim para a escola mas vestimo-nos no fim de semana, lembraste? E pintaram-nos flores na cara e sentiamo-nos umas verdadeiras rainhas, lembras-te?
A Primavera, como gosto dela!
Olha, lembra-me de mandar a tua professora aquela parte sim?
bjs
Deixei-te um desafio lá no meu blog.
Bjs
O complexo de Peter Pan é algo relacionado com a criança que há em nós. É o lado (bom) da nossa personalidade que não cresceu, que acredita em fadas e estórias de encantar, como a magia nos faz voar e vencer os ganchos dos capitões. Ao que parece eu sou mais "crescida" do que o que desejo nessa área!...
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