<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-34589196</id><updated>2011-04-22T00:56:41.167+01:00</updated><title type='text'>Peter Pan</title><subtitle type='html'>Eu acredito!Eu acredito em fadas!!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://peterpan2.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://peterpan2.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Bé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302066144494470698</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>12</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34589196.post-116159944989705149</id><published>2006-10-23T11:20:00.000+01:00</published><updated>2006-12-08T20:53:32.653Z</updated><title type='text'>Era uma vez...</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Era uma vez três amigos&lt;br /&gt;Com uma história para contar&lt;br /&gt;Uma história de sonhos antigos&lt;br /&gt;Uma história de encantar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez uma Silina&lt;br /&gt;Uma menina traquina&lt;br /&gt;Que gostava de ensinar&lt;br /&gt;A todos os meninos do mundo&lt;br /&gt;A arte eterna de sonhar….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez o Luís&lt;br /&gt;Que gostava de escrever com giz&lt;br /&gt;Queria escrever no quadro preto&lt;br /&gt;Que, sobre tudo o que aprendemos na vida,&lt;br /&gt;Deveríamos fazer um soneto…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez uma Fernanda&lt;br /&gt;Sempre com um trunfo na manga&lt;br /&gt;Acreditava que era uma fada&lt;br /&gt;E com a sua varinha de condão&lt;br /&gt;Fazia com que a rapaziada&lt;br /&gt;Aprendesse com o coração…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez dezanove rostos&lt;br /&gt;Com olhos grandes, cheios de esperanças&lt;br /&gt;Que nos lembravam, todos os dias,&lt;br /&gt;Que o melhor do mundo&lt;br /&gt;São mesmo as crianças…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez uma escola&lt;br /&gt;Circundada por um grande muro&lt;br /&gt;Que exibia nas suas paredes&lt;br /&gt;Ecos do presente, do passado e do futuro…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez uma história&lt;br /&gt;Ainda por terminar&lt;br /&gt;Onde a escola era um castelo&lt;br /&gt;Com fadas e duendes a vaguear&lt;br /&gt;Era uma vez uma história&lt;br /&gt;Com a qual, desde sempre, sonhamos&lt;br /&gt;Que nos fazia recordar um sábio,&lt;br /&gt;Quando, um dia, escreveu:&lt;br /&gt;Pelo sonho. Pelo sonho é que vamos!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;                                                        &lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;    &lt;strong&gt;Fernanda Ricardo Santos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nota: Este "aspirante a poema" foi feito por mim, como forma de apresentação do meu núcleo de estágio, que tem de constar no Dossier de Estágio que, por sua vez tem de ser entregue já no fim do próximo mês de Novembro. É, por isso, para mim importante, todos os vossos comentários e críticas... Por agora, ainda estão todos a tempo de não me deixar fazer má figura. Obrigada!)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34589196-116159944989705149?l=peterpan2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://peterpan2.blogspot.com/feeds/116159944989705149/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34589196&amp;postID=116159944989705149&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/116159944989705149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/116159944989705149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://peterpan2.blogspot.com/2006/10/era-uma-vez.html' title='Era uma vez...'/><author><name>Bé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302066144494470698</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34589196.post-116056364215116307</id><published>2006-10-11T11:20:00.000+01:00</published><updated>2006-10-13T21:01:27.550+01:00</updated><title type='text'>Síndrome de S</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Para todos os que já ouviram o termo &lt;em&gt;Portugal profundo&lt;/em&gt; e que, como eu, pensavam que para o presenciar e conhecer teriam de se deslocar aos mais recônditos, longínquos e isolados lugares do abandonado, esquecido, discriminado e negligenciado interior português, digo-vos, desde já, que tal canseira não é, de todo, necessária.&lt;br /&gt;Basta-vos ir até ao Centro de Saúde – público claro! – mais próximo, que, passados alguns loooooongos minutos de espera, tomam contacto imediato com a realidade profunda de Portugal e do português.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A minha consulta estava marcada, há um mês, para aquele dia, às 14h. Assim, por volta das 13.45h, lá fui eu, munida de todos os exames que me mandaram fazer, ouvir o que a Senhora Doutora teria para me dizer.&lt;br /&gt;Dirijo-me à recepção, onde se encontra uma funcionária, particularmente antipática – estou convencida de que a antipatia e a má criação são requisitos exigidos para este cargo –, que, sem levantar os olhos, me diz “ &lt;em&gt;Faça o fabor de esperar na sala de espera&lt;/em&gt;”. E eu, bem-educada que sou, fiz-lhe o &lt;em&gt;fabor&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A sala, além de a transbordar de gente, estava abafada, o que me fez procurar um sítio para me sentar, bem juntinho da janela. Fico exactamente no meio – porque não havia outro lugar – de duas senhoras que, avidamente, conversavam.&lt;br /&gt;“ &lt;em&gt;É como lhe digo, o dinheiro vai todo para a farmácia, ficam uns trocos para a comida e pronto&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;…é assim a vida!” “ Coitado de quem é pobre, é o que lhe digo! É que neste país, pronto&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt; vive-se assim… e nós, olhe pronto&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;, temos de viver assim.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Aquele &lt;em&gt;pronto&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; ecoava na minha cabeça, enquanto olhava, mais uma vez, para o relógio que já marcava 14.45h.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;À minha frente, outras senhoras conversavam e, desde logo, me apercebi que, também elas, sofriam do &lt;em&gt;Síndrome de &lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; “ &lt;em&gt;Olha que eu não sabia que estiveste&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt; assim tão doente!!! Parece incrível, vivemos ali pegadas e eu sem saber! Mas o que é que tu tiveste&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;? Foi gripe?? “ Sabes como é. É só trabalho…e sabes a gente trabalhamos muito e pronto&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;…lembramos lá da saúde!”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Aqueles “&lt;em&gt;&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;” todos começavam a afligir-me. Sem dúvida que se tornou numa epidemia nacional e ninguém, ainda, fez nada. Bem, não entremos em pânico. Com certeza que já estão a tratar da vacina…&lt;br /&gt;Olho, pela milésima vez, para o relógio, que, sem piedade, marca 15.30h!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma senhora, já idosa, levanta-se a custo e dirige-se, com dificuldade, ao balcão da recepção “ &lt;em&gt;Ó minha filha, desculpa,.. mas o Sê Doutor demora? Já tou prá´qui há tanto tempo!!! E dói-me tudo!&lt;/em&gt;”, ao que a Miss Antipatia responde “ &lt;em&gt;Tem de esperar D. Rosalina! Tem de esperar como toda a gente!&lt;/em&gt;”. A D. Rosalina ainda insiste “&lt;em&gt; Mas a consulta era às 14.30h!”.&lt;/em&gt; A criatura levanta o olhar – carregado de superioridade e arrogância – e dá uma resposta (certamente à altura do seu inexistente QI), no mínimo, idiota “ &lt;em&gt;Ó D. Rosalina, o Senhor Doutor está a trabalhar. Ele tem de trabalhar! Não está a brincar! Ele chega quando puder!&lt;/em&gt;” e a D. Rosalina, cabisbaixa, envergonhada e humilhada, murmura “ &lt;em&gt;Pronto&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt; menina, eu espero...&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A mim, dá-me um ataque. Sem sair da minha desconfortável cadeira, finco o olhar na figurinha do balcão e concluo “&lt;em&gt;Ora que boa resposta! Eu quase diria sábia!!! O Senhor Doutor tem de trabalhar, o que não se passa com todas estas pessoas. Nenhum de nós tem de trabalhar! Somos todos uns desocupados que não arranjamos melhor entretenimento do que vir para uma sala de espera, durante horas, ouvir a sua má educação e testemunhar o mau profissionalismo dos Senhores Doutores…e o seu!&lt;/em&gt;”. Paro para respirar. Desvio olhar para a D. Rosalina “ &lt;em&gt;Não se acanhe minha senhora, somos nós, com os impostos, que lhes pagamos o salário. Estes senhores têm de prestar serviço público, é a obrigação deles! Não estão a fazer-nos favor nenhum…&lt;/em&gt;”. Ainda mais cabisbaixa, quase em surdina, responde “&lt;em&gt;Obrigado&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;,&lt;/em&gt; &lt;em&gt;menina.” &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu estava preparada para continuar com o meu discurso sindicalista, mas, ao aperceber-me que estava sozinha na minha revolta, resolvi remeter-me novamente ao silêncio.&lt;br /&gt;Estava eu a retomar a minha reflexão sobre a invasão do “&lt;em&gt;&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;” na língua portuguesa, quando sou perturbada por um berro “ &lt;em&gt;Soraia Vanessa, põe-te quieta! Anda cá!&lt;/em&gt;”. Mas a Soraia Vanessa – que a mãe histericamente pronunciava &lt;em&gt;Sóraia Bánéssa&lt;/em&gt; – estava pouco interessada nas advertências da mãe e, depois de ter rasgado todos os panfletos informativos que encontrou, decidiu destruir todos os copos de plástico existentes, enchendo-os com água e atirando-os para o chão “ &lt;em&gt;Sóraia Bánéssa, olha o que fizeste&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt; ! Ballha-me Deus! Molhaste&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt; a saia toda! Pronto&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;, senta-te aqui e tá quieta!!”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Milagrosamente, o altifalante decidiu salvar-nos a todos, chamando pela irritante criança e, para o alívio de todos, a &lt;em&gt;Sóraia Bánéssa&lt;/em&gt; foi nessa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olho pela janela e avisto a minha médica a chegar e a caminhar – devagar, devagarinho – sobre a relva verde e tratada, dirigindo-se ao edifício. Eram 16.05h!!!&lt;br /&gt;Passados minutos, ouço “ &lt;em&gt;Fernand&lt;strong&gt;o&lt;/strong&gt; Ricardo&lt;/em&gt;.” Levanto-me triunfante e digo para os restantes utentes “ &lt;em&gt;Ora, Fernand&lt;strong&gt;o&lt;/strong&gt; Ricardo, sou eu!&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;A médica olha demoradamente para os meus exames, revê as análises, suspira, torna a suspirar… Tem aquele ar sério, de profissional competente. Sim, porque é preciso pôr cara feia para sermos bons! Quem sorri – ou pelo menos fala! - não pode, de modo algum, ser bom profissional.&lt;br /&gt;Decido interromper o seu eloquente e superior silêncio “ &lt;em&gt;Então Doutora, está tudo bem?”.&lt;/em&gt; Silêncio. Mais silêncio. Mudez. Começo a ficar aflita! Com todo aquele mistério, provavelmente já estou morta e não sei.&lt;br /&gt;Mas eis que…&lt;em&gt;"É tá tudo bem, tudo normal. Pronto&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;… agora é só esperar.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;O alívio que senti ao confirmar que ainda estava viva contrastou com a preocupação em que fiquei ao verificar que a médica já tinha sido contaminada com o &lt;em&gt;Síndrome&lt;/em&gt; &lt;em&gt;de&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;S&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. No entanto, cumprindo o ritual por ela imposto, fiquei calada.&lt;br /&gt;Mas que ando preocupada, lá isso ando….&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34589196-116056364215116307?l=peterpan2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://peterpan2.blogspot.com/feeds/116056364215116307/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34589196&amp;postID=116056364215116307&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/116056364215116307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/116056364215116307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://peterpan2.blogspot.com/2006/10/sndrome-de-s.html' title='Síndrome de S'/><author><name>Bé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302066144494470698</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34589196.post-116048158236347150</id><published>2006-10-10T12:52:00.000+01:00</published><updated>2006-10-11T17:12:37.266+01:00</updated><title type='text'>Complexo de Peter Pan</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ando, de novo, com o coração apertado.&lt;br /&gt;Parece que, de repente e num curto espaço de tempo, várias pessoas decidiram participar numa espécie de &lt;em&gt;conspiração&lt;/em&gt; para atormentarem e inquietarem a minha singela e serena existência.&lt;br /&gt;Subitamente muita gente tem planos para mim, desiludem-se com minha “demasiadamente pequena ambição” e até se ofendem quando afirmo (e reafirmo!) que o meu futuro está numa sala de aula.&lt;br /&gt;Aparentemente a profissão de professor terá algo de menor, um sabor a segunda categoria, que eu, distraidamente, não me terei apercebido…&lt;br /&gt;Não quero, de forma alguma, parecer ingénua ou, até mesmo, mal agradecida. É óbvio que eu percebo o imenso elogio que se esconde por detrás de tais atitudes, mas não concordo com ele e, definitivamente, não o mereço.&lt;br /&gt;Quando as circunstâncias da minha vida me presentearam com uma segunda oportunidade, abriram-se, perante mim, duas estradas com inícios, rumos, percursos e fins completamente distintos. Foi demorada a minha decisão, mais demorado ainda foi o primeiro passo, mas quando o dei levava duas certezas: não voltaria a olhar para trás e não me desviaria, nem por um instante, do meu propósito. Até hoje, mantive-me fiel às poucas certezas que vou tendo na vida.&lt;br /&gt;Assim, a minha escalada pelo mundo da Educação não foi – não é – espontânea, irreflectida, inconsciente, muito menos, leviana.&lt;br /&gt;Caramba, vocês conhecem-me melhor do que isto!!!&lt;br /&gt;“&lt;em&gt; Mas tu és uma antropóloga!!!”,&lt;/em&gt; ouço frequentemente dizerem. Não. Talvez resida aí a confusão. Eu sou PROFESSORA. Não tenho, nem quero saber de outros amores.&lt;br /&gt;A Antropologia é, sem dúvida, uma mais valia na minha formação e, sobretudo, na minha vida. A Antropologia ensinou-me a ver – na verdadeira acepção da palavra –, ensinou-me a pensar, muniu-me de instrumentos preciosos, amadureceu-me, esclareceu-me, iluminou-me, mas nunca me possuiu. Ela foi sempre minha, …eu nunca fui dela.&lt;br /&gt;A sala de aula preenche-me, realiza-me, completa-me. E tomou-me de assalto, desde a primeira vez (ocorre-me a célebre frase de Fernando Pessoa “ Quando te vi, amei-te já muito antes”), mudando-me para sempre. Mas, e no entanto, na minha essência sinto-me a mesma. Continuo a ser o que sempre fui, uma mulher de ordem e de paz, mas decidida a caminhar sempre e ir sempre para a frente, custe o que custar, sem ódios, sem ameaças, mas também sem desfalecimentos, inexoravelmente, até à última extremidade, até onde seja necessário ir para lutar pela escola e pelo mundo em que acredito.&lt;br /&gt;Romântico? Piegas? Patético? Talvez. Até pode ser, mas eu tenho desculpa. Segundo dizem, eu não consegui ultrapassar o &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Complexo de Peter Pan&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Passo a transcrever a explicação que a minha querida prima Tânia, tão gentilmente, me deu “&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O complexo de Peter Pan é algo relacionado com a criança que há em nós. É o lado (bom) da nossa personalidade que não cresceu, que acredita em fadas e estórias de encantar, como a magia que nos faz voar e vencer os ganchos dos capitães (…)”.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; E se a Tânia diz, então é verdade.&lt;br /&gt;Desculpem, mas eu tenho de sorrir! Fico contente pela minha constante e incurável alucinação. Desculpem, mas eu tenho de chorar… não consigo deixar de sentir pena por todos aqueles que, em alguma altura das suas vidas, perderam ou abdicaram do privilégio de sonhar.&lt;br /&gt;É que a liberdade, na sua forma mais verdadeira e plena, apenas reside na capacidade de pensar e de sonhar. Não há regime, por mais opressor que seja, que se assemelhe à ditadura da ignorância, porque esta é a barreira mais feroz e mais resistente à liberdade.&lt;br /&gt;Quando somos donos e senhores do nosso pensamento, quando exercemos o nosso direito (e dever!) de pensar, damos um grande passo na conquista da liberdade. Mas quando sonhamos…Oh! Quando sonhamos o passo é gigante! Não existem grades, muros, censuras, torturas que consigam destruir a nossa imaginação e os nossos sonhos, daí o facto de nos levantarmos todos os dias. Ou não?&lt;br /&gt;Sou uma mulher de sonhos, de utopias, de causas, de militâncias. A minha militância faço-a na sala de aula, os meus sonhos levo-os e trago-os da sala de aula, a minha causa e a minha utopia são a sala de aula.&lt;br /&gt;Certa de que todos temos como função (e obrigação) absoluta deixar o mundo um pouco melhor do que o encontramos, e porque acredito que os rumos do mundo estão condicionados e dependentes dos caminhos da Educação, não encontro nada mais coerente do que fazer a minha &lt;em&gt;contra-guerra&lt;/em&gt; a partir do e no ensino.&lt;br /&gt;Os homens de hoje andam pelo mundo ressequidos e isolados. Mas a esta união de homens ressequidos e isolados não podemos chamar sociedade! Não pode haver uma sociedade fértil onde não existe progresso, nem elevação humanos. O verdadeiro perigo para a humanidade é o vazio das almas, dos cérebros: tudo o resto não é senão uma consequência disto.&lt;br /&gt;Não há nada mais triste, mais dramático, mais trágico do que um espírito amputado. Infelizmente, ainda não inventaram próteses para tal…&lt;br /&gt;O meu desejo é que professores e alunos aceitassem a utopia de uma nova Educação, de uma nova sociedade e de um novo ser humano que procuram o caminho da eticidade, um caminho igualitário e livre, … acima de tudo, livre.&lt;br /&gt;É preciso voltar atrás, refazer a criança, orientar para ela os esforços da ciência, porque é nela que residem a origem e a chave dos enigmas da humanidade.&lt;br /&gt;Como não tenho quaisquer dúvidas de que a resposta para os grandes problemas da humanidade, assim como a salvação do mundo estão, sobretudo, nas mãos da Educação, mantenho-me firme, teimosa, birrenta no meu lugar; na minha sala de aula, seja ela onde for, seja ela como for. Desde que seja para sempre…&lt;br /&gt;Porque eu, irremediavelmente utópica, quero salvar o mundo!....&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34589196-116048158236347150?l=peterpan2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://peterpan2.blogspot.com/feeds/116048158236347150/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34589196&amp;postID=116048158236347150&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/116048158236347150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/116048158236347150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://peterpan2.blogspot.com/2006/10/complexo-de-peter-pan.html' title='Complexo de Peter Pan'/><author><name>Bé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302066144494470698</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34589196.post-115908662702588511</id><published>2006-09-24T09:21:00.000+01:00</published><updated>2006-10-09T15:24:49.336+01:00</updated><title type='text'>A encomenda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não gosto de trabalhos encomendados, são sempre pouco espontâneos e, por isso, pouco interessantes. Mas, desta vez, faço-o com agrado porque foste tu a pedir – e eu gosto de ti – e porque, de vez em quando, um exercício de auto-análise e de introspecção até fazem bem.&lt;br /&gt;Precisei de uns dias para pensar, porque compilar-me em, apenas, 5 ( que eu aumentei para 7) traços de personalidade, não é fácil.&lt;br /&gt;Então, lá vai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Durante estes dias de reflexão, descobri que tenho uma faceta fortemente &lt;strong&gt;obsessiva compulsiva&lt;/strong&gt; . Vejamos:&lt;br /&gt;o &lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;Amarelo&lt;/span&gt;: é mais do que conhecida a minha paranóia pelo amarelo. Se vivesse sozinha, tudo seria amarelo. Aliás, o mundo deveria ser amarelo, mas alguém discordou de mim (ai o gajo!...);&lt;br /&gt;o &lt;span style="color:#ff6666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Caixas&lt;/span&gt;: Tenho uma estranha fixação por caixas. Tenho-as de todas as cores, feitios e tamanhos. Em cada divisão da casa, lá estão elas. Na maior parte das vezes, vazias, devo dizer (é que ainda não consegui acumular suficiente quinquilharia para as encher, mas garanto que estou no bom caminho);&lt;br /&gt;o &lt;span style="color:#990000;"&gt;Livros&lt;/span&gt;: Adoro-os! Venero-os! Mas muitos e todos ao mesmo tempo, o que leva a que passe horas intermináveis na Fnac, para me decidir. Para piorar a coisa, quero lê-los todos ao mesmo tempo e eis a minha particular característica: nunca leio um livro de cada vez, mas sim vários ao mesmo tempo ( neste momento &lt;em&gt;Eu sou um lápis&lt;/em&gt; –área da educação -, &lt;em&gt;Lutas e Vidas&lt;/em&gt; – um conto - e a compilação da &lt;em&gt;Mafalda&lt;/em&gt;- banda desenhada -, sou fã incondicional da Mafalda, mas confesso a minha perdição pela Susaninha (sobre quem pretendo escrever daqui a algum tempo);&lt;br /&gt;o &lt;span style="color:#990000;"&gt;Bijutaria&lt;/span&gt;: eu gosto é de pulseiras, mas acabo sempre por comprar brincos (vá-se lá entender a atitude esquizofrénica...);&lt;br /&gt;o &lt;span style="color:#990000;"&gt;Dietas&lt;/span&gt;: Estou constantemente em dieta, faço-as todas (mas nenhuma resulta!!!!!);&lt;br /&gt;o &lt;span style="color:#990000;"&gt;Fruta&lt;/span&gt;: Esta é sobejamente conhecida! Se me deixarem, como-a às toneladas (pronto, é melhor calar-me. Já não consigo deixar de pensar nas viçosas e suculentas pêras que gritam por mim, da cozinha)&lt;br /&gt;o &lt;span style="color:#990000;"&gt;Flores&lt;/span&gt;: Quem me conhece bem está familiarizado com o meu longo cadastro criminal nesta área. E mais, não digo...&lt;br /&gt;Para amostra, parece-me que chega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- Como boa portuguesa que sou, tenho sempre a lágrima pronta a aparecer no canto do olho. Sou &lt;strong&gt;muito chorona&lt;/strong&gt;. Choro quando estou triste, quando estou feliz, choro a ler livros, a ver filmes, a conversar...Enfim (vejamos a coisa pelo lado positivo, pelo menos não faço retenção de líquidos, o que é bom no combate à celulite).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3- Tenho uma péssima relação com o dinheiro. A &lt;strong&gt;avareza&lt;/strong&gt; é o meu maior defeito. Regateio preços até à morte. Umas vezes com óptimos resultados, outras, nem por isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4- Sou a pessoa mais &lt;strong&gt;desastrada&lt;/strong&gt; que conheço (houve quem preferisse definir-me como destrambelhada...ora, eu protestei. E muito!!!! É que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa!). Tudo me cai ao chão, parto tudo. Se há situação que exija cerimónia e/ou seriedade é certo que eu ou tropeço, ou parto qualquer coisa, ou calco alguém ou digo o que não devo (é uma tristeza!...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5- Tenho forte um &lt;strong&gt;sentido de justiça&lt;/strong&gt;. Considero que esta é a minha melhor qualidade. A injustiça enraivece-me e aí, novamente, eu “ parto tudo!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6- Sou&lt;strong&gt; desorganizada&lt;/strong&gt;. Eu convivo bem com o caos e entendo-me com ele. Oriento-me na perfeição e sei onde está tudo. Aliás, os meus melhores trabalhos ocorrem em situações de pressão, desorganização e reboliço total. Para quê mudar?? Defendo que o caos é essencial para o equilíbrio. Um só existe em função do outro, ou não?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7- Trabalho e estudo melhor quando estou sozinha. Apesar de gostar do trabalho de grupo, confesso que as melhores ideias surgem na solidão. Este &lt;strong&gt;leve traço de individualismo&lt;/strong&gt; tem-me trazido dissabores, ao longo de toda a minha vida académica, pois é frequentemente entendido como um acto de egoísmo (os génios são sempre incompreendidos!...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, entre tantas outras coisas,....Eu sou assim! E como diz a voz sábia do povo &lt;em&gt;Pau que nasce torto.....&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34589196-115908662702588511?l=peterpan2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://peterpan2.blogspot.com/feeds/115908662702588511/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34589196&amp;postID=115908662702588511&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/115908662702588511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/115908662702588511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://peterpan2.blogspot.com/2006/09/encomenda.html' title='A encomenda'/><author><name>Bé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302066144494470698</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34589196.post-115891486378520334</id><published>2006-09-22T09:39:00.000+01:00</published><updated>2006-09-25T14:18:30.986+01:00</updated><title type='text'>Mas por que razão é que eu ainda te ouço?????</title><content type='html'>Estou chocada! Indignada!! Não concordo nada com esta coisa!&lt;br /&gt;Eu nunca te devia ter dado ouvidos. Primeiro foi o blog, e olha no vício que se tornou?? Agora este teste, que só diz mentiras????&lt;br /&gt;Tu queres desgraçar-me, só pode.&lt;br /&gt;Olha o que estes maldosos dizem sobre mim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A inclinação de sua letra mostra que você parece ser uma pessoa equilibrada, educada. Mas é um pouco “fria” com quem acaba de conhecer. A ligação de sua letra revela raciocínio lógico, dinamismo, método e uma tendência à rotinas. A direção de sua letra indica pessimismo, melancolia e dificuldade de enfrentar os problemas. A pressão que usa ao escrever sinaliza instabilidade. Suas ações, às vezes, são imprevisíveis. Esta instabilidade costuma causar mais problemas no campo afetivo e sexual. As áreas valorizadas na sua escrita destacam imediatismo, &lt;strong&gt;preocupação com questões materiais e pouca motivação de crescimento interior. A forma de sua letra demonstra conservadorismo, formalidade e uma certa frieza em seus relacionamentos sociais&lt;/strong&gt;. Tende a esconder sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Eu juro que vou processar esta gente por difamação!&lt;br /&gt;E eu que sou um doce de menina!!! Pergunta à minha mãe, pergunta!! Ela não mente!&lt;br /&gt;Sabes o que mais? Estou tão zangada que até vou, já, atacar na gelatina!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34589196-115891486378520334?l=peterpan2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://peterpan2.blogspot.com/feeds/115891486378520334/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34589196&amp;postID=115891486378520334&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/115891486378520334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/115891486378520334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://peterpan2.blogspot.com/2006/09/mas-por-que-razo-que-eu-ainda-te-ouo.html' title='Mas por que razão é que eu ainda te ouço?????'/><author><name>Bé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302066144494470698</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34589196.post-115887841593830639</id><published>2006-09-21T23:33:00.000+01:00</published><updated>2006-09-25T09:41:38.726+01:00</updated><title type='text'>E ela dá-lhe com os periquitos!</title><content type='html'>Tem o coração na boca. E como este nunca pára, a boca também não. Então ela fala, fala, fala, fala sem nunca parar, sem revelar cansaço, sem esgotar o assunto, sem perder a vivacidade e sempre com o mesmo entusiasmo. Fala pelos cotovelos, pelos joelhos, pelos pés e por todas as partes constituintes do corpo humano que se possam lembrar.&lt;br /&gt;Mais uma vez, conversamos. E ela fala, fala, fala… Sorrio, de vez em quando intervenho e ela fala, fala, fala….&lt;br /&gt;Desta vez, falamos sobre animais de estimação. É que ela, empolgadíssima, revela-me que quer ter um, só não sabe exactamente qual.&lt;br /&gt;Rejeita logo à partida o fiel cão ou o independente e altivo gato “&lt;em&gt;sabes, não tenho tempo. Passo muito tempo fora de casa…&lt;/em&gt;”. Fala-me, então, do papagaio. Parece-me uma boa ideia. Quase diria que se tratam de almas gémeas, eles falam, falam, falam…&lt;br /&gt;O seu falatório está sempre acompanhado por um enorme sorriso e, por vezes, é interrompido por uma estridente e sentida gargalhada.&lt;br /&gt;O que ela não sabe é que os seus olhos a atraiçoam. Eles não estão em sintonia com o sorriso e desmentem a gargalhada.&lt;br /&gt;São lindos os olhos dela! Aquela cor-de-mel, quase transparente, é uma passagem directa para a alma.&lt;br /&gt;(E ela fala, fala, fala, fala…)&lt;br /&gt;Senti-me levitar. Flutuei e mergulhei no seu olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou agora no “teu” mais profundo, mas, lá ao longe, ainda consigo ouvir a tua voz&lt;br /&gt;(e tu falas, falas, falas…)&lt;br /&gt;Aqui dentro está escuro. Procuro o teu coração, ele deve andar por aí, algures. Acabo por avistá-lo, mas não ouso aproximar-me muito.&lt;br /&gt;Está só, encolhido, apertado, triste… não parece gostar da minha presença. Abomina a piedade alheia e, orgulhoso e ofendido, vira-me as costas.&lt;br /&gt;Firmemente, asseguro-lhe “ &lt;em&gt;Não é piedade, é amizade. Uma das mais belas formas do amor. Pena tenho de quem te perdeu…”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Suavemente, vou-me aproximando. Sinto-o acelerar a batida. Faço-lhe festinhas e murmuro “&lt;em&gt;Calma, calma…&lt;/em&gt;”. Ele parece sossegar.&lt;br /&gt;Lá em cima, tu falas, falas, falas….Espera! Parece-me ouvir falar de periquitos! Periquitos??? Regresso à conversa, num ápice. É que se a coisa já vai em periquitos, então é grave e eu tenho de intervir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou de novo, de corpo e alma, na conversa.&lt;br /&gt;Ela tenta convencer-me das vantagens e do imenso (????) divertimento em ter os periquitos. Eu riposto até ao desespero “ &lt;em&gt;Periquitos?! Para além de estúpidos, só fazem barulho!!”.&lt;/em&gt; É isso que ela quer. Barulho. Ruído. Reboliço. Penso que é para não ouvir as chamadas do coração, mas isto, sou eu aqui a pensar….&lt;br /&gt;Tento mostrar-lhe as maravilhas de ter um cão e, mesmo, as vantagens em optar pelo gato. Mas não consigo. Ela parece decidida pelos inúteis periquitos.&lt;br /&gt;Não me dou nem por vencida, nem por convencida, mas calo-me.&lt;br /&gt;É que eu tenho um plano!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ti (e tu sabes quem és),&lt;br /&gt;festinhas no coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Fiquem atentos! Isto vai ter parte II. Ai vai, vai!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34589196-115887841593830639?l=peterpan2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://peterpan2.blogspot.com/feeds/115887841593830639/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34589196&amp;postID=115887841593830639&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/115887841593830639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/115887841593830639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://peterpan2.blogspot.com/2006/09/e-ela-d-lhe-com-os-periquitos.html' title='E ela dá-lhe com os periquitos!'/><author><name>Bé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302066144494470698</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34589196.post-115883128782095654</id><published>2006-09-21T10:30:00.000+01:00</published><updated>2006-09-28T22:23:21.080+01:00</updated><title type='text'>Primavera</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ontem estávamos loucas! Não. Eu diria antes que estávamos felizes. Celebrávamos a vida!&lt;br /&gt;Fingíamos trabalhar, mas não. Pensávamos disparates, dizíamos disparates e fazíamos disparates. E ríamos, como nós ríamos!..E eu andava cansada de não rir.&lt;br /&gt;Este ano promete! Até pode ser a nossa desgraça, mas que vai ser divertido, isso vai!&lt;br /&gt;Sinto que isto vai resultar. Eu sei que isto vai resultar.&lt;br /&gt;Imprudentemente, deixei escapar que não gostava do Carnaval. Nem parece meu! Eu não costumo descuidar-me nestas coisas…&lt;br /&gt;Quis abandonar o assunto, mas tu não deixaste.&lt;br /&gt;Quis entregar actividade à tua responsabilidade – eu confio na tua loucura -, mas tu não deixaste.&lt;br /&gt;Quiseste saber o motivo de eu não gostar do Carnaval e eu disse-te que não sabia. Menti. Tive vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A professora disse-nos para, no dia seguinte, aparecermos “bonitos e arranjadinhos”, ou seja, devidamente mascarados para a festa e desfile de Carnaval.&lt;br /&gt;Nessa noite, sentei-me junto da minha mãe que, com as suas mãos de verdadeira fada do lar – atributo que eu infelizmente não herdei –, cosia as últimas flores de papel no meu vestido.&lt;br /&gt;Eu tinha decidido que queria ir vestida de Primavera e ela, que sempre me alimentou os devaneios, prontamente encontrou um vestido velho e cobriu-o de flores de papel, adicionando uma coroa, também florida, que era o meu orgulho.&lt;br /&gt;No dia seguinte, já na escola, a professora não apreciou a minha indumentária:&lt;br /&gt;- Mas que raio de fatiota é essa? Vens mascarada de quê?&lt;br /&gt;Parecia-me óbvio, mas mesmo assim respondi:&lt;br /&gt;- De Primavera.&lt;br /&gt;- Ai sim?! És muito engraçadinha! Olha para teus colegas, nenhum se lembrou de tal coisa. Não conseguiste pensar em nada mais normal?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Pois então não participas no desfile, que é para aprenderes. Vais ficar aí sentada a assistir.&lt;br /&gt;Ainda consigo ouvi-la comentar com as outras professoras “ Aquela tem a mania que é a Primavera, olha o disparate!”&lt;br /&gt;Ali fiquei a ver polícias, fadas, zorros, rainhas a desfilarem, com a certeza dos meus oito anos de que a Primavera alegraria a festa.&lt;br /&gt;Hoje, continuo a não gostar do Carnaval.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34589196-115883128782095654?l=peterpan2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://peterpan2.blogspot.com/feeds/115883128782095654/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34589196&amp;postID=115883128782095654&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/115883128782095654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/115883128782095654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://peterpan2.blogspot.com/2006/09/primavera.html' title='Primavera'/><author><name>Bé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302066144494470698</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34589196.post-115879091690650805</id><published>2006-09-20T23:15:00.000+01:00</published><updated>2006-09-29T10:47:37.836+01:00</updated><title type='text'>A Menina fez-se Mulher. A Ana foi Mãe!</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2206/3813/1600/menina1%20035.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 195px; CURSOR: hand; HEIGHT: 220px" height="218" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2206/3813/320/menina1%20035.jpg" width="215" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Raramente paro para pensar nos enredos e nas teias que a minha vida foi tecendo, ao longo dos anos, e que me trouxeram até este exacto momento em que me sento e me deparo com a necessidade de o fazer.&lt;br /&gt;Hoje, a Ana foi mãe.&lt;br /&gt;Não sei se à hora que escrevo a Matilde já terá dado as boas-vindas ao mundo, mas se não, deve estar muito perto.&lt;br /&gt;A Matilde decidiu ficar sentada. Não houve quem a convencesse do contrário, o que levou a Ana a não ter outra opção, senão a cesariana. Isto começa bem! A pequena Matilde começa a deixar denotar que herdou o feitiosinho – nem sempre fácil - da mãe.&lt;br /&gt;Fico feliz!&lt;br /&gt;Conheço a Ana desde sempre, a história das nossas vidas funde-se e confunde-se. Vivemos tudo juntas, os amores e os desamores, os encontros e os desencontros, os acontecimentos banais e dias excepcionais.&lt;br /&gt;Desde muito cedo que a Ana demonstrava uma imensa vontade de ser mãe. Quando, ainda, todas nós nem sabíamos o que queríamos e, nem sequer, o que esperar da vida, a Ana já não tinha dúvidas. Aliás, muito raramente lhe encontrei dúvidas, hesitações ou contradições. É talvez a pessoa mais corente e estável que eu conheço.&lt;br /&gt;A minha prima preferida decidiu baptizar-me “bloguisticamente” de &lt;em&gt;prima fada&lt;/em&gt; e eu decidi usar os poderes mágicos de fada-madrinha, esticando a minha varinha de condão até a uma salinha na Ordem da Lapa, no Porto, onde certamente estará a Matilde.&lt;br /&gt;Está tudo muito calmo. Os pozinhos de pirilim-pim-pim conseguem habilmente passar por uma minúscula frincha, na porta, e esvoaçam até onde se encontra a Matilde.&lt;br /&gt;Concedo-lhe a eterna felicidade.&lt;br /&gt;Dorme descansada, Matilde. A minha varinha de condão transformar-se-á, instantaneamente, em espada se alguém ousar atentar contra o meu feitiço.&lt;br /&gt;Imagino-me a oferecer-te o primeiro livro, a ensinar-te as primeiras letras, a guiar-te nas difíceis e complicadas contas e equações da vida...&lt;br /&gt;Já sei. Estás cansada, ainda só agora nasceste. Não te maço mais.&lt;br /&gt;Apaguem as luzes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;O Sono da Menina&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Pardalito do telhado&lt;br /&gt;Quem te mandou cantar?&lt;br /&gt;Não vês que a menina tem sono?&lt;br /&gt;Tem sono e quer nanar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrelinha do céu longo&lt;br /&gt;Que estás tu a espreitar?&lt;br /&gt;Não vês que a menina tem sono?&lt;br /&gt;Tem sono e quer nanar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lua cheia&lt;br /&gt;Fecha os olhos&lt;br /&gt;Apaga o teu luar&lt;br /&gt;Não vês que a menina tem sono?&lt;br /&gt;Tem sono e quer nanar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó vento, está caladinho&lt;br /&gt;Quem te manda assobiar?&lt;br /&gt;Não vês que a menina tem sono?&lt;br /&gt;Tem sono e quer nanar.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;José Vaz,&lt;br /&gt;O nó da corda amarela&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34589196-115879091690650805?l=peterpan2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://peterpan2.blogspot.com/feeds/115879091690650805/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34589196&amp;postID=115879091690650805&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/115879091690650805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/115879091690650805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://peterpan2.blogspot.com/2006/09/menina-fez-se-mulher-ana-foi-me.html' title='A Menina fez-se Mulher. A Ana foi Mãe!'/><author><name>Bé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302066144494470698</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34589196.post-115866098881101773</id><published>2006-09-19T11:00:00.000+01:00</published><updated>2006-09-25T22:52:57.693+01:00</updated><title type='text'>Para a Andreia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Ouvi dizer que ficaste preocupada comigo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Não fiques.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Eu sou mesmo assim louca, neurótica, lunática, eufórica, paranóica, obsessiva..., ou seja, aquilo que clinicamente se denomina de um caso perdido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Mas amo a vida!Adoro viver! E atrevo-me mesmo a dizer que a vida também tem uma especial simpatia por mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Não faria nada que, de algum modo, atentasse contra a minha saúde física ou mental. No máximo, quando está tudo muito mal eu...pumba!Vingo-me na gelatina.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Descansa o teu coração, prima&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Gostava de te ver mais vezes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Um beijo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34589196-115866098881101773?l=peterpan2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://peterpan2.blogspot.com/feeds/115866098881101773/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34589196&amp;postID=115866098881101773&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/115866098881101773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/115866098881101773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://peterpan2.blogspot.com/2006/09/para-andreia.html' title='Para a Andreia'/><author><name>Bé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302066144494470698</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34589196.post-115862230646654632</id><published>2006-09-19T00:15:00.000+01:00</published><updated>2007-04-03T12:36:53.373+01:00</updated><title type='text'>…Eu até gosto da Professora Clara!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Apercebi-me, hoje, que, por algum motivo, nas reuniões com a Silina e o Luís – os ilustres membros do meu núcleo de estágio – as nossas conversas passam, muito frequentemente, pela professora Clara. Se a professora Clara não inicia a conversa, então aparece no entremeio, ou então, com toda a certeza, no fim.&lt;br /&gt;Tudo se passa, mais ou menos, assim.&lt;br /&gt;Normalmente surge quando troçamos de uma asneirita ortográfica que, de quando em vez, lá cometemos. Também quando as encontramos nos escritos dos Senhores Reverentíssimos Professores. Aí é a festa, é o delírio total! Exploramos o percalço até à exaustão e, então, surge a minha imitação da professora Clara (uma bela réplica, modéstia à parte). Chega a vez da Silina que conta mais uma peripécia sua, decorrida na saudosa aula de Língua Portuguesa. É altura de o Luís intervir, com todo o seu filosofar lascivo e libidinoso, sonhando (mais suspirando!) e recordando os atributos da professora Clara.&lt;br /&gt;Fartas de ouvir – pela milésima vez – o quanto a professora Clara é bonita e jeitosa (até parece que o rapaz não está rodeado por duas verdadeiras beldades!!!!), eu e a Silina gritamos em uníssono “&lt;em&gt;CALA-TE, Luís!&lt;/em&gt;”. E o melhor de tudo é que ele se cala mesmo.&lt;br /&gt;Passamos, deste modo, à fase final da conversa. Relembramos as aulas, sentimos imensa pena de nós próprios ao recordarmos o quanto tivemos de estudar para a cadeira, eu mostro os meus cabelos brancos que surgiram precisamente quando tive de estudar as malditas conjunções (e eu sei que não é coincidência!), enfim… e acabamos satisfeitíssimos, pois concluímos que todo aquele arrancar de cabelos valeu realmente a pena.&lt;br /&gt;Faço um parêntese para quem não faz a menor ideia sobre quem estou a falar.&lt;br /&gt;Vou contar-vos a minha experiência, a minha visão dos factos.&lt;br /&gt;Demorei a tomar a decisão de entrar no ISCE, mesmo depois de já estar inscrita, de as aulas já terem começado há quinze dias e de ter ido várias vezes a Felgueiras e ter voltado para trás, por falta de coragem para enfrentar um mundo de "teenagers" na flor da vida, quase envergonhada pela minha (in) sensatez de voltar à escola.&lt;br /&gt;Tomei a decisão de entrar numa Segunda-feira e tive a minha primeira aula com a professora Clara na Quinta seguinte.&lt;br /&gt;Curiosamente cheguei atrasada – o que me chateou. Eu sempre gostei da disciplina de Português e não me apetecia começar mal, uma vez que já tinha começado tarde.&lt;br /&gt;Bati à porta e entrei. Fiquei estarrecida!! O clássico dos Clash assaltou-me, de imediato, o pensamento “&lt;em&gt;Should I stay, or should I go?&lt;/em&gt;”&lt;br /&gt;Pensem comigo. Uma professora novinha (mais nova do que eu, tive logo a certeza), magrinha (ai que inveja!) e bonita (agora, já começava a abusar da minha paciência!). Era para desconfiar. Tive a certeza que profissionalmente seria um fiasco, fiquei convencida de que sabia de tudo, menos de Português …&lt;br /&gt;Mas não! A Clarita revelou-se uma excelente professora, uma profissional competentíssima – tantas vezes (vezes demais!) injustiçada por muitos alunos mal-agradecidos e mimados e, infelizmente, até por alguns colegas – com um pequeno senão: tem o dom de me fazer sentir a criatura mais ignorante do mundo, desafiando-me, atormentando-me, estimulando-me e incentivando-me. Nunca lhe agradeci, pois não, professora Clara? Obrigada, professora Clara!&lt;br /&gt;É claro que o facto de reprovar quase turmas inteiras, dá-lhe um certo carisma e até alguma piada. Coitada da professora Clara! Imagino os dilemas, as pressões e as frustrações que a vão assolando, ao longo de todo este tempo. Mas para quem a vê, ela é a energia e a boa disposição em pessoa. Sempre cheia de pressa, é verdade. Para onde correrá a professora Clara?....&lt;br /&gt;Bem, muito resumidamente, esta foi e é a minha professora Clara.&lt;br /&gt;Retomo as minhas reuniões com o Luís e com a Silina. Já na fase terminal da conversa e após um demorado silêncio a Silina, com o sorriso mais sincero e enternecedor do mundo, confessa-se “… &lt;em&gt;Eu até gosto da professora Clara!”.&lt;/em&gt; Sinto um nó na garganta, aperta a saudade e acrescento “&lt;em&gt;Também eu!”,&lt;/em&gt; o Luís levanta o olhar, um olhar carregado de malícia, acompanhado por um sorriso traquina e recheado de pensamentos pouco apropriados à situação….&lt;br /&gt;CALA-TE, Luís!! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34589196-115862230646654632?l=peterpan2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://peterpan2.blogspot.com/feeds/115862230646654632/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34589196&amp;postID=115862230646654632&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/115862230646654632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/115862230646654632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://peterpan2.blogspot.com/2006/09/eu-at-gosto-da-professora-clara.html' title='…Eu até gosto da Professora Clara!'/><author><name>Bé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302066144494470698</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34589196.post-115862131617422877</id><published>2006-09-19T00:04:00.000+01:00</published><updated>2007-03-02T06:59:10.956Z</updated><title type='text'>É produto nacional, não é chinês!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Fui à feira. Sempre gostei de feiras. Haverá melhor sítio para exorcizarmos demónios, regateando preços, reclamando de como a oferta está fraquinha e comprando exactamente o que não nos faz falta nenhuma? Não creio…&lt;br /&gt;Lá fui. Não procurava nada em especial. Não precisava de nada em especial. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Simplesmente fui.&lt;br /&gt;Primeiro, fui às roupas (claro está!) e remexi, remexi sem ver absolutamente nada. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Passei, então, para os sapatos, pois, na verdade, até estou necessitada do que calçar neste Inverno, mas começou logo a minha irritação com a indústria sapateira.&lt;br /&gt;“ &lt;em&gt;Gosto destes! Tem o 34?”&lt;/em&gt; “ &lt;em&gt;Ah! Esse número não temos…sabe é de criança.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Fiquei logo alterada! Até parece que vivemos num país de gente muito grande!! Ai o caraças!!! Na China é que eu estava bem! Era a verdadeira “top model”!&lt;br /&gt;Afastei-me para a bijutaria – o meu verdadeiro vício, a minha irracionalidade – e fixei-me nas pulseiras (é que eu gosto de pulseiras!!). Devo tê-las experimentado todas, diferentes cores, diferentes feitios, mas todas com o mesmo pormenor: ENORMES! Tão grandes que me caíam do pulso directamente para o chão. O defeito só pode ser das pulseiras, é claro! É melhor desistir.&lt;br /&gt;Parei na fruta. Que bonita! Que cheirinho!... Ai meu Deus a dieta, Bé! Circula, circula! (Ó Tânia, tu orienta-me prima!)&lt;br /&gt;Ah! As flores! Aqui, eu perco-me de certeza! Rosas, cravos, orquídeas, malmequeres …” &lt;em&gt;E as&lt;/em&gt; &lt;em&gt;túlipas? Não há túlipas? Eu gosto é de túlipas!”&lt;/em&gt; (ou será tulipas? Também não interessa. Felizmente a professora Clara não vem ver isto.)&lt;br /&gt; Elas lá estavam! Amarelas, mesmo como eu gosto!” &lt;em&gt;Seis euros?? Seis euros?!!Está tudo louco!!! Olha seis euros!.&lt;/em&gt; Ali fiquei a ouvir as razões menos convincentes do elevado preço das túlipas, por fim remato com um suspiro, em jeito de pedido de desculpas “ &lt;em&gt;Se eu tivesse seis euros casava-me…&lt;/em&gt;”. E, mais uma vez, afastei-me.&lt;br /&gt;Achei que estava na altura de regressar a casa, na realidade não estava ali a fazer nada. Encaminhei-me em direcção à rua que me viu crescer, mas fui parada por um casaco de fato de treino. Bem giro, diga-se de passagem!... Bem, lá vamos nós ao mesmo “&lt;em&gt; Qual é o preço do casaquinho?&lt;/em&gt;” “ &lt;em&gt;Ó dona é de graça, é dado! Cinco euritos!&lt;/em&gt;”. Franzi o sobrolho.” &lt;em&gt;Boçê num arranja milhor!! Isso é que lhe garanto!”.&lt;/em&gt; Pouso o casaco e preparo-me para abandonar o lugar. “ &lt;em&gt;Ó dona, é produto nacional, não é chinês!&lt;/em&gt;”. Sorri. Erro fatal! A cigana astuta sabia que eu estava conquistada. Enfiado num saco velho verde, lá veio o casaco (amarelo, claro!) comigo para casa.&lt;br /&gt;Por alguma razão, senti-me melhor.&lt;br /&gt;É tão bom ser conquistada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Nota: por inconformismo ou descargo de consciência (sei lá!) fui ver ao dicionário. Ele deu-me razão: túlipa&lt;br /&gt;s. f.&lt;br /&gt; reflector ou quebra-luz que se coloca em volta das lâmpadas, com fins ornamentais;&lt;br /&gt; (bot.) nome vulgar de plantas de algumas espécies pertencentes à família das Liláceas, umas muito cultivadas nos jardins por causa da beleza das suas flores, e outra, a túlipa-brava, espontânea de norte a sul de Portugal;&lt;br /&gt; a flor destas plantas.&lt;br /&gt;(Do turc. tulband, «turbante», pelo fr. tulipe, «túlipa»).&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34589196-115862131617422877?l=peterpan2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://peterpan2.blogspot.com/feeds/115862131617422877/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34589196&amp;postID=115862131617422877&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/115862131617422877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/115862131617422877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://peterpan2.blogspot.com/2006/09/produto-nacional-no-chins.html' title='É produto nacional, não é chinês!'/><author><name>Bé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302066144494470698</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34589196.post-115862049504771282</id><published>2006-09-18T23:48:00.000+01:00</published><updated>2006-10-19T20:12:06.466+01:00</updated><title type='text'>Bem-vinda Fernanda Ricardo!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Nunca gostei do meu nome. Detestei-o. Mais do que isso, reneguei-o.&lt;br /&gt;Sempre fui, sou e serei a Bé.&lt;br /&gt;Mas subitamente ela já não me chega.&lt;br /&gt;Talvez porque ela já não me defina na totalidade. Talvez porque perdi muito daquilo que caracterizava a Bé. Talvez porque a Fernanda Ricardo tem uma força que a Bé nunca teve. Talvez.&lt;br /&gt;Caramba!! Nunca me pareceu justo, muito menos coerente. Eu, amante do amarelo e do cor-de-rosa, fã incondicional dos folhinhos, das rendinhas, dos lacinhos, dos berloques e de toda a espécie de quinquilharia que se possa imaginar (como sou parecida contigo, titi Bininha!), enfiada no nome menos feminino que se pode encontrar: Fernanda Ricardo!!!&lt;br /&gt;É de ficar zangada ou não é?&lt;br /&gt;A Fernanda Ricardo ensombrou-me a vida durante muito tempo. Tempo demais.&lt;br /&gt;Mudava a orquestra, mas a sinfonia era a mesma. Na pauta da escola “&lt;em&gt;Fernando Ricardo&lt;/em&gt;” e lá ia eu tão furibunda, quanto gentil pedir que corrigissem o eterno erro “ &lt;em&gt;Eu sou Fernand&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; Ricardo&lt;/em&gt;”; na sala de aula “ &lt;em&gt;Mas quem é o Fernando Ricardo?”&lt;/em&gt; e lá respondia eu, quase emudecida pela vergonha “ &lt;em&gt;Fernand&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; Ricardo. Eu sou Fernand&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt; Ricardo&lt;/em&gt;.”&lt;br /&gt;Ou então o contrário, “ &lt;em&gt;Como te chamas&lt;/em&gt;?” “&lt;em&gt;Bé.&lt;/em&gt;” “&lt;em&gt;Té???”&lt;/em&gt; “&lt;em&gt;Não. Bé&lt;/em&gt;.” Pausa.” &lt;em&gt;Bé de quê? De Elisabete? De Isabel?&lt;/em&gt;”. Pausa. Suspiro. “ &lt;em&gt;Não. Bé de Fernanda&lt;/em&gt;.” “&lt;em&gt;Ah!...Fernanda…E o Bé, vem de onde?&lt;/em&gt;”. E lá (re)começava a minha enfadonha e envergonhada explicação do motivo da Bé ser Fernanda Ricardo e da razão da Fernanda Ricardo ser Bé.&lt;br /&gt;E a Bé venceu, até há quatro anos atrás.&lt;br /&gt;Tão tímida, quanto refilona, tão racional, quanto melodramática, confusa com a vida, pouco confiante na sua vocação, mas, sobretudo, dotada de uma sufocante baixa auto-estima.&lt;br /&gt;Mas eis que, já no segundo curso, a Fernanda Ricardo começa não só a revelar-se,mas também, e acima de tudo, a rebelar-se. Veio reclamar o seu lugar. Veio exigir ser ouvida, ser valorizada e ser apreciada (Obrigada, Professora Neiza…)&lt;br /&gt;Com a força da professora que um dia quer fervorosamente vir a ser, mostra-se boa aluna, sente-se capaz de tudo. E não é que a cachopa até se saiu bem!&lt;br /&gt;Quem diria! …&lt;br /&gt;Afinal – e vendo bem as coisas – não poderia ser de outro modo. Os dois homens da minha vida são Ricardos. E como eu amo os meus Ricardos! … A mulher da minha vida escolheu-me este nome (gosto tanto de ti, mamã!). Sim Ricardo, serves-me como uma luva!&lt;br /&gt;Fernanda Ricardo. Começa a soar-me bem! Pode até ser feio. Aceito. Mas é meu.&lt;br /&gt;Gosto de ti, Fernanda Ricardo! Não te esqueci, Bé…&lt;br /&gt;Hoje, a Bé estende a mão à Fernanda Ricardo. Hoje, faço as pazes comigo.&lt;br /&gt;Bem-vinda Fernanda Ricardo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E orgulhosamente assino,&lt;br /&gt;Fernanda Ricardo que será sempre a Bé&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34589196-115862049504771282?l=peterpan2.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://peterpan2.blogspot.com/feeds/115862049504771282/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34589196&amp;postID=115862049504771282&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/115862049504771282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34589196/posts/default/115862049504771282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://peterpan2.blogspot.com/2006/09/bem-vinda-fernanda-ricardo.html' title='Bem-vinda Fernanda Ricardo!'/><author><name>Bé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302066144494470698</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry></feed>
